Ninguém me perguntou nada, então por que to escrevendo, emitindo opinião? Não sei! A única relação que faço é com todos os outros desajustados que firmaram suas idéias em livros, obras de arte, pintura em cavernas, até. É a necessidade completa e egoísta de achar que existe algo de importante nessas simplórias ligações dos fatos que criamos com a nossa visão única das coisas.
Não sou melhor ou pior que ninguém, nem me acho talentoso em nada. Já quis acreditar que tinha algo especial, talvez fosse a última esperança da terra numa batalha estelar, ou o líder da nova geração após o apocalipse dos zumbis, mas descobri que apenas faço parte do grande percentual de pessoas que simplesmente não descobriu um objetivo na vida. Daí o motivo de querer mensurar tão impostamente meus achismos. Preciso me fazer presente, vivo, igual aos outros, os vitoriosos, que estão satisfeitos com seus padrões de vida e viajam uma vez por ano, Será que outros escritores também percebem que somos apenas a rapa do tacho dos caldeirão dos vencedores, ou seja, aquilo que não deu certo, que queimou?
É óbvio que tem um monte de gente superior, meio mutante ou sei lá, que consegue escrever e pensar o que os pobres mortais só sabem pelos jornais, mas não trato deles, apenas dos fracassados, daqueles que desistiram de tentar para evitar novas derrotas. Gente mais parecida comigo.
O pior é que a veia juvenil se foi juntamente com a compreensão da minha colocação na sociedade. Sou um desajustado pois queria fazer as coisas funcionarem, queria melhorar, crescer, agregar, inventar, qualquer coisa que ajudasse ao bem. Sim, queria simplesmente fazer algo para o lado bom da Força, queria fazer parte da legião de heróis que constroem um mundo melhor. Tudo em sentido figurado, claro, sempre soube que os grandes homens na verdade são os responsáveis pais de família. Contudo, não acredito mais na possibilidade de melhorar nada ao meu redor, nem de modificar meu destino tão enormemente que me satisfaça. Não creio, na fundo, em mim mesmo. Estou cansado de perder, de diminuir minhas aspirações para caber nas réstias que me sobram. Minhas convicções se perverteram, não são mais aquelas da juventude, composta por ideais altaneiros e honoráveis, nem sou mais aquele sujeito gentil e agradável. Quero distância das pessoas. Acho que é uma reação a percepção que terão de mim após conhecer os meus fracassos. É claro que o defeito não está nelas, está em mim. Eu é que não soube me adaptar, lutar pelos desejos que me completariam.
Daí, para quê tanto chororô, se no final tudo acaba em cinzas? bem, o final é incerto e, até onde sabemos, distante. Como o caminho é mais importante que a chegada, o dia-a-dia é o que faz a vida, não a impressão que se faz dela.
se tudo termina, se há um ciclo para toda vida, se a renovação é a única certeza, então não me furto em aceitar tal solução: o fim.
é satisfatório lutar o bom combate, mas esmurrar facas não tem lógica. de que vale tentar sem esperança de alcançar? não sou um colibri que faz a "sua parte" no incêndio da floresta. se pretendo ser algo impossível para mim, não me contento em ser este que me torna impensável.
o consolo é que o fim é igual para todos, mesmo que uns ainda esperem algo da vida. eu nada mais quero, então para quê esperar?
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